“Jaime Bunda” – Pepetela

————————————————————————————————–In portoghese ———————————————————————————————

Se um dia vocês estivessem a passear por Luanda, a capital de Angola, no caminho que da magnífica baía leva à Ilha de Luanda, poderiam ter o azar de encontrar altas figuras do Estado com algo a esconder, personagens tenebrosas tão poderosas que só pronunciar-lhes o nome mete medo, libaneses regressados clandestinamente depois de terem sido expulsos e agora metidos em negócios escuros, fascinantes dançarinas do ventre, contrabandistas de diamantes, feiticeiros com poderes verdadeiros ou presumidos, pessoas de confiança que resolvem qualquer problema e o estagiário dos serviços secretos de indomável apetite, promovido a agente efectivo para a ocasião, com o cargo de vigiar de perto a investigação da polícia sobre o importante caso de homicídio duma rapariga que sucedeu no dia da comemoração da independência do país africano.

Todos estes elementos poderiam facilmente fazer pensar a um clássico romance policial, mas é um caso pelo menos anómalo. Antes do mais é um livro extremamente divertido. Em segundo lugar, Jaime Bunda, apesar de ser quase homónimo do mais célebre dos agentes dos serviços secretos britânicos, o infálivel e cheio de acessórios 007, não tem nada nem de heróico nem de fascinante. Pelo contrário, o nosso herói, dotado dum raciocínio francamente estrambótico, é um «James Bond subdesenvolvido», que entrou nos serviços secretos graças a uma cunha e que deve enfrentar computadores que não funcionam, velhos carros que só não caem aos pedaços graças a pedaços de barbante e colegas que não têm nenhuma confiança nele. Além disso, ele nem sequer tem um apelido: Bunda, que em português tem um sentido suficientemente claro para todos, é apenas uma alcunha que lhe foi atribuída por causa duma sua característica física, o enorme traseiro que o torna lentíssimo nos movimentos e desproporcionado na figura.

Poderia-vos acontecer também de conversar com os quatros narradores que se alternam no acto de contar a história, e com um escritor que, escondido entre parênteses, intervém continuamente, não poupando comentários venenosos sobre as faltas dos acima referidos narradores, que são demitidos um depois do outro. Mas isso tudo só vai ser possível se tiverem a sorte de ler o livro.

Nicola

————————————————————————————————— In italiano —————————————————————————————————

Se un giorno vi trovaste a passeggiare per Luanda, la capitale dell’Angola, sulla strada che dalla splendida baia porta all’Isola di Luanda, potreste avere la sventura di incontrare alte cariche dello Stato con qualcosa da nascondere, personaggi tenebrosi tanto potenti che solo a pronunciarne il nome ci si mette paura, affaristi libanesi rientrati clandestinamente dopo essere stati espulsi, affascinanti danzatrici del ventre, contrabbandieri di diamanti, maghi dai poteri veri o presunti, persone di fiducia per risolvere qualsiasi problema e lo stagista dei servizi segreti dall’indomabile appetito, promosso agente effettivo per l’occasione, incaricato di sorvegliare da vicino le indagini della polizia su un importante caso di omicidio di una giovane ragazza avvenuto nel giorno in cui si celebra l’indipendenza dello stato africano dal Portogallo.

Tutti questi elementi potrebbero facilmente far pensare ad un classico romanzo giallo, ma è un caso per lo meno anomalo. Innanzitutto è un libro divertentissimo. In secondo luogo, Jaime Bunda, nonostante sia quasi omonimo del più celebre degli agenti dei servizi segreti britannici, l’infallibile e superaccessoriato 007, è tutt’altro che eroico e fascinoso. Al contrario, il nostro eroe, dotato di un raziocinio strampalato, è un «James Bond sottosviluppato», assunto per raccomandazione, che si trova a fare i conti con computer che non funzionano, vecchi catorci che non cadono a pezzi grazie a pezzi di spago e colleghi che non hanno fiducia in lui. Inoltre non ha nemmeno un cognome: Bunda, che in portoghese significa culo, anzi culone, è solo un soprannome affibbiatogli in virtù di una sua caratteristica fisica, l’enorme deretano che lo rende lentissimo nei movimenti e sproporzionato nella figura.

Vi potrebbe capitare anche di fare quattro chiacchiere con i quattro narratori che si alternano nel racconto della storia, e con uno scrittore che, nascosto fra parentesi, interviene di continuo, non risparmiando commenti velenosi sull’inadeguatezza dei suddetti narratori, che vengono licenziati uno dopo l’altro. Ma tutto questo sarà possibile solo se avrete la fortuna di leggere il libro.

Nicola Balsebre

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